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3.º Festival Terras sem Sombra
Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo 2006/2007

de 15 de Novembro de 2006 a 24 de Março de 2007
As Formas do Som: Vozes e Instrumentos
início


15 de Novembro de 2006, 19h00
Lisboa, Palácio Fronteira, Conferência de Abertura
O Canto e os Instrumentos
Cumplicidades e Contradições na Música Antiga

RUI VIEIRA NERY (UNIVERSIDADE DE ÉVORA) voltar

Notas Biográficas Rui Vieira Nery
Rui Vieira Nery nasceu em Lisboa em 1957.
Iniciou os seus estudos musicais na Academia de Música de Santa Cecília e prosseguiu-os no Conservatório Nacional de Lisboa, onde foi aluno de Melina Rebelo (Piano), Constança Capdeville (Composição) e Macario Santiago Kastner (Musicologia e Interpretação de Música Antiga). É Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa (1980) e Doutorado em Musicologia pela Universidade do Texas em Austin (1990), que frequentou como Fulbright Scholar e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e onde trabalhou, designadamente, com os Professores Robert Snow, Gérard Béhague, Douglass Green, Michael Tusa e Elliot Antokoletz. De 1985 a 2000 ensinou no Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente Professor Associado do Departamento de Artes da Universidade de Évora. Desde 1992 é também Director-Adjunto do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian. Como musicólogo, é autor de diversas obras sobre História da Música Portuguesa, duas das quais receberam o Prémio de Ensaísmo Musical do Conselho Portguês da Música (em 1984 A Música no Ciclo da “Bibliotheca Lusitana”, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, e em 1992 Sìnteses da Cultura Portuguesa: História da Música, em co-autoria com Paulo Ferreira de Castro, Lisboa: Imprensa Nacional/Europália), bem como de largo número de artigos científicos publicados em revistas e obras colectivas especializadas, tanto portuguesas como internacionais. Exerce também uma actividade intensa como conferencista, no plano nacional como em vários países da Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. Entre outros eventos musicológicos recentes (2002-03), foi conferencista convidado no 5º Encontro de Musicologia de Juíz de Fora (Minas Gerais) e nos cursos de Música Antiga promovidos por Jordi Savall em San Feliú de Guixols (Barcelona), e participou no colóquio internacional Post-Imperial Camões, a convite da Universidade de Massachussets (Dartmouth) e na série de conferências sobre Arte e Ciência promovidas pelo Instituto Gulbenkian de Ciência. Os seus temas de investigação incluem a problemática do Maneirismo e do Barroco na Música Ibérica e os processos de interpenetração cultural na Música Portuguesa, do vilancico à modinha e ao fado. Trabalha presentemente num estudo de fundo sobre a vida musical luso-brasileira, na óptica dos viajantes estrangeiros do final do Antigo Regime (1750-1834), e em diversos projectos de edição de Música portuguesa dos séculos XVI a XVIII. Recentemente (2002) foi editor das actas do colóquio Música no Brasil Colonial (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian) e autor dos capítulos sobre Espanha, Portugal e América Latina para a obra Baroque Music, de George Buelow, a ser publicada em 2004 pela Indiana University Press. Como crítico e colunista musical foi colaborador dos semanários Expresso e O Independente. É colaborador regular da Antena Dois da Radiodifusão Portuguesa, para a qual produziu, entre outros, o programa Sons Intemporais, sendo actualmente co-autor (com Vanda de Sá) do programa semanal Ressonâncias. Foi Consultor Musical da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, da Régie Cooperativa Sinfonia e da Fundação de Serralves. Entre Novembro de 1991 e Junho de 1992 foi responsável pela concepção do projecto artístico do Centro de Espectáculos do Centro Cultural de Belém. É membro individual eleito do Conselho Português da Música e desde 1999 membro do júri do Prémio Pessoa (Expresso/Unysis). Entre Outubro de 1995 e Outubro de 1997 desempenhou as funções de Secretário de Estado da Cultura no XIII Governo Constitucional. A 5 de Outubro de 2002 foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique por serviços prestados ao estudo e divulgação da Cultura portuguesa.

25 de Novembro de 2006, 21h30
Castro Verde, Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição
Motetos de Pero de Gamboa (1563?-1638) e Vilancicos Negros do Manuscrito 50 de Santa Cruz de Coimbra (sec. XVIII)
CORO GULBENKIAN - JORGE MATTA, MAESTRO voltar

Notas Biográficas Coro Gulbenkian
Fundado em 1964, o Coro Gulbenkian conta presentemente com uma formação sinfónica de cerca de 100 cantores, actuando igualmente em grupos vocais reduzidos, conforme a natureza das obras a executar. Assim, o Coro Gulbenkian tanto pode apresentar-se como grupo a cappella, o que tem acontecido regularmente para a interpretação de polifonia portuguesa dos séculos XVI e XVII, como colaborar com a Orquestra Gulbenkian para a execução de obras coral-sinfónicas do repertório clássico e romântico. Na música do século XX, campo em que é particularmente conhecido, tem interpretado, e frequentemente estreado, inúmeras obras contemporâneas de compositores portugueses e estrangeiros. Tem sido igualmente convidado para colaborar com as mais prestigiadas orquestras mundiais, para execução de grandes obras como A Criação de Haydn e a Nona Sinfonia de Beethoven (Orquestra do Século XVIII / Frans Brüggen), a Missa Solemnis de Beethoven (Orquestra Sinfónica de Baden-Baden / Michael Gielen), as Segunda, Terceira e Oitava Sinfonias de Mahler (Filarmónica de Berlim / Claudio Abbado; Filarmónica de Londres / Franz Welser-Möst; Sinfónica de Viena / Rafael Frübeck de Burgos; Filarmónica Checa / Gerd Albrecht), A Danação de Fausto de Berlioz (Filarmónica de Estrasburgo / Theodor GuschIbauer e Concertgebouw de Amesterdão / Colin Davis), ou Daphnis et Chloé de Ravel (Filarmónica de Montecarlo / Emmanuel Krivine). Para além da sua apresentação na temporada de concertos da Fundação, em Lisboa, e das suas digressões pelo país, o Coro Gulbenkian tem actuado em numerosas cidades de Espanha, França, Itália, Hungria, Canadá, Iraque, Índia, Macau e Japão. Em 1991 apresentou-se em várias cidades da Bélgica, no quadro do Festival Europália, e deslocou-se a Israel para uma série de actuações com a Orquestra de Câmara de Israel (Tel Aviv, Carmiel, Haifa e Jerusalém). Em 1992, uma digressão em várias cidades da Holanda e da Alemanha, com a Orquestra do Século XVIII, deu origem à gravação ao vivo da Nona Sinfonia de Beethoven, que foi incluída na edição integral das sinfonias de Beethoven que Frans Brüggen realizou para a Philips. Em 1993 o Coro Gulbenkian teve a honra de acompanhar o então Presidente da República, Doutor Mário Soares, numa visita oficial ao Reino Unido. Deslocou-se em seguida ao Brasil e recebeu o convite de S.A.R. o Príncipe Ramier do Mónaco para a realização de um concerto com a Orquestra Filarmónica de Montecarlo. Nesse mesmo ano, actuou ainda em Lyon, Estrasburgo e Mulhouse, com a Orquestra Nacional de Lyon (A Transfiguração de Messiaen). Em 1994 deslocou-se a Budapeste com a Orquestra Gulbenkian, e efectuou uma segunda digressão com Frans Brüggen e com a Orquestra do Século XVIII, actuando em Itália, França, Holanda e Portugal (A Criação de Haydn). No ano seguinte, apresentou-se na Índia em quatro concertos a cappella, realizando uma digressão ao Brasil, Argentina e Uruguai, com a Orquestra Gulbenkian, sob a direcção de Michel Corboz (Elias de MendeIssohn). Ainda em 1995, nove concertos com a Orquestra do Século XVIII (Nona Sinfonia de Beethoven) levaram o Coro Gulbenkian a oito cidades do Japão. Em Junho de 1997 apresentou-se com esta mesma orquestra, dirigida por Frans Brüggen, em concertos realizados em diversas cidades europeias, incluindo uma participação no Festival Eurotop de Amesterdão (Sonho de Uma Noite de Verão de Mendelssohn). Em Novembro do mesmo ano teve o privilégio de acompanhar Sua Excelência o Presidente da República, Doutor Jorge Sampaio, na visita oficial à Holanda, a convite de Sua Majestade a Rainha Beatriz da Holanda, tendo actuado na cidade de Leiden. Na temporada de 1998-1999 apresentou-se, entre outros, no Festival Veneto (com a Orquestra I Solisti Veneti) em Pádua e em Verona. Em 2000 realizou uma digressão com a Orquestra do Século XVIII e Frans Brüggen, actuando em Londres e em várias cidades da Holanda, da Alemanha e do Japão. No ano seguinte, colaborou com a Orquestra Sinfónica do Norte da Alemanha na apresentação da Missa Solemnis, de Beethoven, em Lisboa e Madrid. Já em 2002, a actividade internacional compreendeu concertos na Dinamarca, Malta, Japão (de novo com a Orquestra do Século Dezoito) e Espanha (Festival Internacional de Música de Granada). O Coro Gulbenkian tem gravado para as editoras Philips, Archiv-Deutsche Grammophon, Erato, Cascavelle, Musifrance, FNAC-Music e Aria-Music, interpretando um repertório diversificado que inclui musica portuguesa do século XVI ao século XX. Algumas destas gravações receberam prémios internacionais, tais como o Prémio Berlioz, da Academia Nacional Francesa do Disco Lírico, o Grande Prémio Internacional do Disco, da Academia Charles Cros, ou o Orfeu de Ouro, entre outros. Desde 1969, Michel Corboz é o Maestro Titular do Coro, sendo as funções de Maestro Adjunto desempenhadas por Fernando Eldoro e as de Maestro Assistente por Jorge Matta.

Coro Gulbenkian
Jorge Matta, Direcção

Pedro Sousa Silva, Flauta de Bisel
António Carrilho, Flauta de Bisel
Ismael Santos, Sacabuxa
Kenneth Frazer, Viola da gamba
Nicholas McNair, Órgão

Sopranos
Graziela Lé
Marisa Figueira
Mónica Santos
Raquel Alão
Rosalina Segura
Susana Duarte
Teresa Azevedo
Verónica Silva
Rosa Caldeira

Contraltos
Carolina Figueiredo
Michelle Rollin
Lucinda do Rosário
Mafalda B.Coelho
Sónia Ferreira
Patrícia Mendes
Joana Nascimento

Tenores
Aníbal Coutinho
Filipe Faria
Jaime Bacharel
João Branco
João Moreira
Rui Miranda
Sérgio Peixoto

Baixos
Artur Carneiro
Fernando Gomes
João Luís Ferreira
José Bruto Costa
Manuel Rebelo
Mário Almeida
João Luís Paixão

Notas Biográficas Maestro Jorge Matta
Maestro assistente do Coro Gulbenkian, desde 1976, é doutorado em Musicologia Histórica pela Universidade Nova de Lisboa, onde ensina no Departamento de Ciências Musicais. Destacado investigador, editor e intérprete de música portuguesa, tem realizado inúmeras primeiras audições modernas e estreias absolutas de obras vocais e instrumentais de compositores portugueses. Gravou várias séries de programas de televisão e representou Portugal na Eurovisão e na Mundovisão, em 1986. Dirigiu a Orquestra Sinfónica da RDP, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra de Câmara de Macau, a Orquestra de Câmara de Lisboa, a Orquestra de Câmara Sousa Carvalho, a Orquestra Musicatlântico, a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, o Collegium Instrumentale de Bruges, o Coro da Radiodifusão da Baviera, e participou nos Festivais Internacionais de Pamplona, Palência e Badajoz (Espanha), Rottenbourg e Munique (Alemanha), Bruxelas (Europália 91) e Israel (1998). A sua discografia inclui discos com o Coro Gulbenkian, com o grupo Cantus Firmus e com a Orquestra de Câmara de Lisboa - "Música Portuguesa do século XVIII", que mereceu, entre outros, um prémio da Academia Francesa do Disco. Em 2000/2001 foi director do Teatro Nacional de S. Carlos. É, desde 2001, presidente da Comissão de Acompanhamento das Orquestras Regionais. 

2 de Dezembro de 2006, 21h30
Sines, Igreja Matriz de São Salvador
Marions les Roses
O Encontro Oriente-Ocidente na Bacia do Mediterrâneo

LES FIN’AMOUREUSES (AVIGNON, FRANÇA) voltar

Notas Biográficas
Le cheminement individuel de chacune des musiciennes a permis une rencontre enrichissante et leur travail, effectué en profondeur, tend à recréer une oralité vivante plus qu’une reconstitution historique. La finesse de l’interprétation musicale, l’expressivité et la sensualité de la voix reflètent les héritages croisés et les influences des pays d’accueil de ces musiques qui ont tellement voyagé

Emmanuelle Drouet
Solista do conjunto vocal barroco Chorun Audite, interpreta também o repertório medieval mediterrâneo:   Llibre Vermell de Montserrat, cantos gregorianos, arabo-andaluzes, judaico-espanhois, chants de troubadours et trouvères, Carmina Burana, Cantigas de Santa Maria... Formou-se no Instituto do Mundo Árabe, no Teatro de l’Odéon, na Grand Halle de la Villette e na Comédie Française. Participação nas produções teatrais: “Prophètes sans Dieu” de Slimane Benaissa  e com La Tour de Babel, “Les contes de la Mort” e “les Bacchantes” de Euripide.

Nannette van Zanten
Gambista saída do Conservatório de Strasbourg, acompanha e compõe arranjos musicais para cantores como Hayet Ayad: “Voix de la Méditerranée médiévale” CD FY du Solesticio 1992 e “Cantigas et Rromances” CD FY du Solstice 1995 e Mireille Marie: CD “Chants sacrés de la Méditerranée” 2002 e “Printemps Nomade” CD 2004. Com o Ensemble Lazuli participa na criação dos espectáculos musicais “L’Invitation au Voyage”  e “Salé, sucré, pimenté” 1999, no Festival d’Avignon, no Teatro des Halles, e com Aini Iften em “Amacharou”, contos kabyles de 2000.

Nathalie Waller
Criou o duo Wayal em 1991 com Hayet Ayad, no quadro dos estudos e pesquisas das músicas medievais da bacia mediterrânea. CD: “Cantigas et Romances» ensemble Wayal, 1995 FY du Solstice. Concertos: “Les Nuits de la Voix” à Rodez, Festival «Voix et routes romanes», Alsace, «Musiques médiévales du Musée de Cluny», Paris com o Ensemble Wayal.  Com o Ensemble Aux Couleurs du Moyen-Age, participa em numerosos concertos e espectáculos. CD’s : “En honneste compainie”, 1999, “La Ciutat Joyosa” 2003. Composição para o teatro: «Gilgamesh» com a companhia Mentir Vrai de Lille.

Ensemble Les Fin’Amoureuses
Emmanuelle Drouet, canto
Nannette van Zanten, viola de gamba e vièle de arco
Nathalie Waller, vièle de arco, viola de gamba, dilruba

 

20 de Janeiro de 2007, 21h30
Beja, Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres
Recital de Cravo e Clavicórdio
Imagens da Música de Tecla Ibérica do Maneirismo ao Pós-Barroco

JOÃO PAULO JANEIRO
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Notas Biográficas
Obteve o grau de Mestre em Musicologia Histórica com uma dissertação sobre a música religiosa de Francisco António de Almeida. É licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou Cravo e Clavicórdio com Cremilde Rosado Fernandes. É licenciado em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Concluiu o Bacharelato em Órgão sob orientação de Antoine Sibertin-Blanc na Escola Superior de Música de Lisboa. Prepara, actualmente, a sua tese de doutoramento sobre a prática do baixo contínuo em Portugal no século XVII, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. Participou em diversos cursos de música antiga, onde teve a oportunidade de trabalhar órgão, cravo e baixo contínuo com Joaquim Simões da Hora, Ketil Haugsand, Ton Koopman e Bob van Asperen. Fundou em 1989 o grupo de música antiga Flores de Música, e, em 2005, o agrupamento vocal de solistas, Capela Joanina. Com estes grupos, tem realizado um trabalho de divulgação da Música Portuguesa dos sécs. XVII e XVIII, tanto em concertos como em gravações. Desde então tem dedicado uma grande parte da sua actividade profissional ao estudo e transcrição da Música Barroca Portuguesa. Tem-se apresentado em concertos e em gravações para a rádio e televisão, quer a solo, quer com os agrupamentos que dirige ou em colaboração com o Coro e Orquestra Gulbenkian, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e com o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos. Participou em gravações discográficas de Música Portuguesa para a ‘Portugal Som’ com o grupo Cantus Firmus e com o Coro Gulbenkian. Gravou o CD A influência da música italiana para tecla em dois órgãos históricos da cidade de Évora, para a editora Movieplay. Prepara as edições discográficas do Te Deum de Francisco António de Almeida e Mattutino de Morti de David Perez para a editora Decca. Integra o Avondano Ensemble, juntamente com Adriano Aguiar, Miguel Rocha e Catherine Strynckx, com o qual prepara a edição impressa de obras de João Baptista André Avondano e também em CD, com o apoio do Instituto das Artes. Realizou o levantamento dos órgãos históricos do Alentejo para a Delegação Regional da Cultura do Alentejo, tendo coordenado processos de restauro em vários órgãos históricos. Dirigiu as Jornadas de Órgão do Alentejo. Participou em diferentes colóquios e publicou trabalhos sobre a música e a organaria em Portugal no período Barroco, destacando-se o artigo sobre P. C. Oldovini para o dicionário de referência Die Musik in Gechichte und Gegenwart. È responsável pelo recentemente fundado Departamento de Música Antiga da EMNSC, onde lecciona Órgão, Cravo, Música de Câmara e Baixo Contínuo, e onde dirige a Oficina de Música Antiga.

3 Fevereiro 2007, 16h00
Santa Cruz (Almodôvar), Igreja Matriz de Santa Cruz
O Consort Português Mal Temperado
Música do Manuscrito 964 da Biblioteca Pública de Braga

A IMAGEM DA MELANCOLIA,
CONSORT DE FLAUTAS
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Notas Biográficas
O consort de flautas A Imagem da Melancolia foi fundado em Dezembro de 2002 por músicos diplomados pela Escola Superior de Música de Lisboa na classe do prof. Pedro Couto Soares. O ensemble concentra a sua atenção no reportório polifónico escrito entre 1400 e 1700, socorrendo-se do estudo das fontes musicais, literárias e iconográficas coevas do reportório executado para a construção de um conceito interpretativo. As flautas usadas são cópias de instrumentos do séc. XVI construidas por Adrian Brown, Luca de Paolis, Monika Musch, Tom Prescott e Peter van der Poel. A Imagem da Melancolia estreou-se em Fevereiro de 2003 no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. Desde então realizou concertos em Lisboa, Tomar, Loulé e participou na programação FRINGE do Festival de Música Antiga de Utrecht de 2004 e na programação de Faro Capital da Cultura 2005. A Imagem da Melancolia gravou recentemente o disco Arte da Usurpação que deverá ser lançado no princípio de 2006.

Os Instrumentos
Na tentativa de trabalhar dentro de uma moldura limitada por questões de probabilidade histórica, A Imagem da Melancolia adquiriu 2 conjuntos de instrumentos, cópias exactas de flautas do séc. XVI e construidas por 2 dos mais prestigiados construtores da actualidade. O Consort Rafi por Luca de Paolis e o Consort HIER S•/HIE•S por Adrian Brown.
O consort RAFI é baseado em 2 instrumentos (1 tenor e 1 basset) que sobrevivem na Accademia Filarmonica di Bologna com a marca C.·.RAFI. Os originais foram construidos por Claude Rafi, um construtor de flautas e traversos francês da primeira metade do séc. XVI e residente em Lyon. Estes instrumentos apresentam algumas características organológicas especiais: um longo porta-vento, uma longa e estreita janela e ausência de chanfradura. Tal características conferem a estes instrumentos um som muito particular: um timbre difuso e um ataque ruidoso particularmente adequados para algumas peças de carácter mais homofónico, tais como as danças publicadas por Jaques Moderne na mesma cidade e período em que Claude Rafi viveu. O nosso consort RAFI é constituido por 1 alto em sol, 2 tenores em dó e 1 basset em fá, está afinado em la 520hz (cerca de meio tom acima dos originais) e foi construido por Luca de Paolis em 2003.
O consort HIER S•/HIE•S é baseado em 5 instrumentos (1 Grande Baixo, 1 Baixo, 1 Basset, 1 Tenor e 1 Alto) que sobrevivem no Vienna Kunsthistorisches Museum com as marcas HIER S• e HIE•S. Os originais foram construidos na primeira metade do séc. XVI e o construtor é anónimo. A marca significa provavelmente Hieroniumus e existem referências a pelo menos dois construtores de flautas com esse nome - Hieronimus di Flauto e Hieronimus Bassano, que podem até ser a mesma pessoa. A possibildade de se tratar de Hieronimus Bassano é considerável, já que este foi o primeiro membro de uma longa família de flautistas e construtores Venezianos cuja reputação era de tal ordem a ponto de Henrique VIII ter contratado 4 membros desta família para a sua corte. Em termos organológicos, estes instrumentos são bastante representativos do grosso dos instrumentos do séc. XVI que chegaram aos nossos dias e estão afinados em quintas entre si, conforme nos é relatado na tratatística coeva. O seu som é bastante focado, suave e permite uma enorme flutuação dinâmica, sendo instrumentos particularmente adequados para o reportório polifónico de origem vocal. A variedade de tamanhos (o mais pequeno tem 38 cm, o maior mais de 1m80) permite combinar escolher a sonoridade ideal para uma obra ou usá-los como registos de um orgão, como sugere Mersenne no seu tratado de 1636, Harmonie Universelle. O nosso consort HIER S•/HIE•S é constituido por 1 alto em sol, 2 tenores em dó e 2 bassets em fá, dois baixos em sib e um grande baixo em mib e está afinado em la 520hz (sensivelmente o diapasão dos originais). Foi construido por Adrian Brown

A Imagem da Melancolia
Pedro Sousa Silva
Inês Moz Caldas
Paulo Gonzales
Pedro Castro
Marco Magalhães

3 de Março de 2007, 21h30
Alvito, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
Canções Sacras e Seculares dos séculos XVII e XVIII.
Recital de Alaúde Barroco

MIGUEL SERDOURA voltar

Notas Biográficas
Miguel Serdoura nasceu em Lisboa, onde iniciou os seus estudos musicais, e obteve em 1994 o diploma do curso geral de Guitarra Clássica. Em 1995 foi residir para Paris, aí se havendo dedicado ao estudo do alaúde. Foi mais tarde admitido no Departamento de Música Antiga do Conservatório Superior de Paris, na classe de Claire Antonini, discípula de Eugéne Ferre, onde permaneceu três anos lectivos. Posteriormente,  de 1999 a 2004, Miguel Serdoura  estudou com Hopkinson Smith, mestre incontestável do alaúde e internacionalmente reconhecido, na Schola Cantorum Basiliensis (Suiça). Participou simultaneamente em diversas master classes do seu instrumento, ministradas por Rol Lisveland e outros prestigiados artistas. No ano 2000 foi convidado a apresentar-se num documentário televisivo sobre o alaúde e o alaudista Hopkinson Smith, documentário que viria a ser transmitido pelos canais Arte, Mezzo, Classica, RTBF, TSR e TVE. Miguel Serdoura tem-se feito ouvir em recitais a solo em França, Alemanha, Portugal, Bélgica, e Suíça. Miguel Serdoura ministra aulas de alaúde barroco e renascentista em Paris, e realiza actualmente um « Método para alaúde barroco » que sera editado em 2006 pela Sociedade Francesa de Alaúde. Ainda no âmbito da pedagogia, Miguel Serdoura realiza regularmente concertos-conferência no Musée de la Musique - Cité de la Musique, em Paris. Em Outubro de 2006 Miguel Serdoura realiza uma série de concertos nos Estados Unidos (Princeton, Rochester, Los Angeles, San Diego e Berkeley). Miguel Serdoura toca alaúdes de Cezar Mateus, Princeton, USA.

24 de Março de 2007, 21h30
Santiago do Cacém, Igreja Matriz de Santiago Maior
As Vozes e as Lágrimas Humanas
Música de Marais, Schütz, Corelli, Martini e Couperin

SETE LÁGRIMAS CONSORT voltar

Notas Biográficas
… though the title doth promise tears, unfit guests in these joyful times, yet no doubt pleasant are the teares which musick weeps, neither are tears shed always in sorrow, but sometimes in joy and gladness. Vouchsafe then your gracious protection to these showers of harmony (…) they be metamorphosed into true tears.
… embora o nome prometa lágrimas, convidadas desenquadradas nestes tempos de alegria, são sem dúvida agradáveis as lágrimas que a música chora, nem sempre vertidas em tristeza mas também em alegria. Permita a vossa graciosa protecção a estes aguaceiros de harmonia que sejam metamorfoseados em verdadeiras lágrimas.*
Jonh Dowland (?1563-1626) * trad. livre
 
John Dowland (?1563-1626) foi o mais proeminente músico da corte da Rainha Isabel de Inglaterra. O seu ciclo de sete danças Lachrimae (Lágrimas), representava a mais notável música de então e, sem dúvida, a sua evocação foi uma viagem profundamente emocional e espiritual. Talvez única no seu tempo, a sua arte encontra a perfeita expressão musical nas Sete Lágrimas que atravessou profundamente a arte, a literatura e a música do século XVI aos nossos dias.

Sete Lágrimas Consort
O Sete Lágrimas Consort (fundado em 2000 sob o nome L’Antica Musica) é um consort de músicos especializados em música antiga e contemporânea dirigido pelos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto que desenvolve programas onde combinam o virtuosismo com delicadas composições de melancolia. Dois tenores, duas flautas de bisel, alaúde e tiorba e viola da gamba é a intrumentação base dos programas já apresentados em Festivais nacionais como o Festival dos Capuchos, o Festival Terras sem Sombra e os Encontros de Música Antiga de Loulé. Em 2006/2007 o grupo desenvolve diversos projectos de gravação e edição discográfica: para a editora Dialogos, com a encomenda de obras ao compositor inglês, residente em Portugal, Ivan Moody, e para a editora Numérica.
 
Desde 2006 o consort desenvolve projectos de composição de música original e arranjos de música antiga para projectos audiovisuais. A este propósito efectuou já a banda sonora original, baseada em música dos séculos XVI a XVIII, de uma série de 13 programas televisivos da estação televisiva SIC. Em cada concerto o projecto cénico é elaborado de acordo com o programa interpretado e com o espaço de apresentação utilizando um cuidadoso recurso à luz, a adereços cénicos ou à projecção vídeo.
 
O Sete Lágrimas Consort estreou-se, em Lisboa, no ano de 2001 com o Primeiro Livro de Madrigais para Duas Vozes  de Thomas Morley de 1595. Fruto de uma intensa pesquisa de cerca de um ano, este repertório encerra em si mesmo a magia da renascença europeia que fez da música e dos paradigmas clássicos uma forma de arte nova que comunicou com o público de um modo  ainda não experimentado. Desde essa data o ensemble efectuou diversos concertos em Lisboa, Almada, Cascais, Évora, Moita, Azambuja, Arraiolos, Almodôvar e Loulé de onde  se destacam os do Festival Terras sem Sombra – Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo (Almodôvar, 2003), do VI Encontro de Música Antiga de Loulé  (Almancil, 2004) e do Festival dos Capuchos, O Ocaso no Jardim das Hespérides (Almada, 2005). Em 2006/2007 já se encontra agendado novo concerto integrado no 3.º Festival Terras sem Sombra – Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo (Santiago do Cacém, 2007) num cartaz que inclui a presença do Coro Gulbenkian para além do concerto do 18.º Temporada Música em S. Roque (Lisboa, 2006).

Sete Lágrimas Consort
Filipe Faria, Tenor e Direcção Artística
Sérgio Peixoto, Tenor e Direcção Artística
Inês Moz Caldas, Flautas de Bisel
Pedro Castro, Flautas de Bisel e Oboé Barroco
Kenneth Frazer, Viola da Gamba e Violoncelo Barroco
André Barroso, Alaúde e Tiorba

 

 

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