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2.º Festival Terras sem Sombra Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo 2004
de 24 de Julho a 10 de Outubro de 2004
Modelos Eruditos e Tradições Populares

início


24 de Julho de 2004, 21h30
Castro Verde, Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição
Cancioneiro anónimo da Biblioteca da Ajuda (sec. XII) e música sacra de Francisco António de Almeida (1722-1752)
CORO GULBENKIAN - JORGE MATTA, MAESTRO
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Cancioneiro anónimo da Biblioteca da Ajuda (séc. XVII)
Picola una abeja Filis
Retratar oy la niña
Que tristes que estan las flores
Donde bolais pensamientos
Ya las sombras de la noche

Francisco António de Almeida (fl. 1722-1752)
“Si quaeris miracula”: Responsorio a 4 concertato per la festa de Stº António
Miserere quator vocibus
Lametatio prima in Sabbato Sancto a 4 concertata

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Jorge Matta

"A Biblioteca da Ajuda possui um dos mais importantes espólios musicais portugueses, centrado sobretudo na música profana dos séculos XVIII e XIX. Entre os seus inúmeros tesouros existem quatro pequenos livros idênticos, encadernados, identificados no Catálogo como Madrigais, e já referidos por Miguel Querol, em 1971, num artigo da revista Anuario Musical (...)" "Se já é na música vocal (mais do que nas Aberturas) que Francisco António de Almeida atinge o seu melhor nível, com uma boa invenção melódica, um ritmo elaborado e variado e um grande equilíbrio entre melodia e harmonia, na música sacra é ainda mais notável, pela qualidade melódica, pela capacidade de tratamento polifónico, pela harmonia densa e colorida, pela relação com os textos e pelo intenso jogo de tensões, fruto de uma requintada utilização das dissonâncias (...)"

25 de Julho de 2004, 21h00
Sines, Igreja Matriz de São Salvador
Strela do Dia
Música Popular religiosa em Itália e na Península Ibérica

ENSEMBLE ALPHA voltar

Dized’ai trobadores: Cantiga de Santa Maria
Oi me lasso: Lauda italiana
Maldito seja que no loará: Cantiga de Santa Maria
Ay trista vida caporal: Mistério de Elche, Espanha
O vos omnes: Canto da Verónica, devocional popular, Redondo
Oh que novas tão alegres: Canto devocional popular, Santarém
Polorum Regina: LLibre Vermell de Montserrat
Regina sovrana: Lauda italiana
Conditor alme siderum: Canto jeronimita, Espanha, séc. XV
Virgo Dei genitrix: Conductus
O divina Virgo: Lauda italiana
Santa Maria, strela do dia: Cantiga de Santa Maria
Salve, salve, Virgo pia: Lauda italiana
Pange língua gloriosi: Canto gregoriano de Toledo, séc XVI

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Ivan Moody

"Não são claras as fronteiras entre o canto litúrgico e o canto devocional na idade média. A interpenetração da vida física e da vida metafísica fez com que a ligação quotidiana do homem às coisas do espírito se manifestasse numa grande quantidade de poesia e música que reinterpretava os acontecimentos nos ciclos litúrgicos da igreja de uma maneira menos formal e mais facilmente compreensível por quem estivesse de peregrinagem, ou participasse nas festas das irmandades. Emblemáticos deste fenómeno são os repertórios ibéricos das Cantigas de Santa Maria e do Llivre Vermell, e o repertório italiano das Laude. Embora tratem de um leque maior de assuntos que as Cantigas, as Laude têm muito em comum com as obras da compilação de Afonso X. Mostram a mesma simplicidade melódica memorável, uma estrutura clara, e os textos são, regra geral, de uma grande transparência e economia (...)"

25 de Setembro de 2004, 21h00
Moura, Igreja Matriz de S. João Baptista
XI/XXI
A música medieval e a nova música sacra

GRUPO VOCAL OLISIPO E ANTÓNIO CARRILHO voltar

Ad invitatorium – Regem venturum
Ivan Moody (n. Londres 1964)
The prophecy of Symeon (2001) *
Lucente Stella – Codex Rossi (Sec. XIV) **
Pérotin (c.1155 / 60 – c.1225)
Viderunt omnes (1198?) **
Ryhoei Hirose (n. 1936)
Hymn (1980) para flauta de bisel **
Ivan Moody (1962)
The meeting in the garden (1998) *

* Obra dedicada ao Grupo Vocal Olisipo

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Ivan Moody

"“The Prophecy of Symeon” (“A Profecia de Simeão”) é uma tentativa de “visualisar” musicalmente as palavras proféticas de Simeão aquando da apresentação de Cristo no templo. Escolhi dois textos dos Evangelhos (de S. João e de S. Lucas). O primeiro descreve a visão de Simeão, na qual percebe a divindade de Cristo e prevê, não somente grandes acontecimentos na Casa de Israel, mas a espada que trespassará o coração de Maria, a Mãe de Deus. Com o segundo texto, saltamos para o futuro, até ao momento da Crucificação: a espada já trespassou o coração da Virgem. Entre estes textos, utilizei a abertura do megalinário (ou seja, hino à Virgem) da festa de Teofania (ou Epifania, como é mais conhecida no Ocidente), do rito bizantino, como refrão. (...)"

26 de Setembro de 2004, 21h00
Cuba, Igreja Matriz
Aequinotium et Pascha
O equinócio da primavera e a Páscoa

CONCERTUS ANTIQUUS
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I Acolhimento dos peregrinos
Venite a laudare: Lauda italiana, séc. XIII
Pange língua gloriosi: Hino anónimo, Toledo (c.1515)
Pase el agoa: Vilancico anónimo ibérico, séc. XV-XVI
Allá se me ponga el sol: Vilancico anónimo, séc. XV
II Equinócio da primavera:
Festa da libertação ou a saída do Egipto: Moisés e o seu povo
Dayénu: Cântico inicial (liturgia tradicional judaica)
Hashivenu: Lamentações 1-2 (liturgia tradicional judaica)
Y-A, halleluyia: Salmo (liturgia tradicional judaica)
Mosé salió de Misraim: Cântico (liturgia sefardita): Portugal séc.XVI?
III Equinócio da primavera: Paixão e morte de Cristo ou a noite antes do dia: As trevas que prenunciam a luz: A vida que germina…
Si la noche haze escura: Cancioneiro Upsalla, séc XV-XVI
Oi me lasso: Lauda italiana, Laudario de Cortona, séc. XIII
Pange melos lacrimosum: Conductus/clausula anónima, séc. XII-XIII
Cruz Fidelis: Moteto/hino atribuído a D. João IV (1604-1656)
Super flumina Babylonis: G.L. Palestrina (c.1525-1594)
O vos omnes: Responsório V/II Nocturno/Ofício Matinas, T.L. Victoria (c.1548-1611)
O vos omnes: Canto da Verónica, Redondo
Stabat Mater dolorosa: Canto tradicional da Sardenha, Itália
IV Equinócio da primavera: A Páscoa ou o dia que desponta:
A luz invencível: A vida que floresce…
Ya cantan los gallos: Vilancico, Vilches, séc. XV-XVI
Alleluia – Pascha nostrum: Antífona, séc. X-XI
Alegria de la resurection: Vilancico, J. Ponce (1480-c.1521)
O Primavera: Madrigal, C. Monteverdi (1567-1643)

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Rui Cabral Lopes

"A celebração da Páscoa é um evento festivo comum às religiões cristã e judaica, muito embora assuma significados diferentes consoante a herança doutrinal e teológica específica de cada um dos credos religiosos. Enquanto que para a Igreja Católica Romana a Páscoa designa a paixão e a ressurreição de Jesus Cristo, já no contexto da tradição hebraico-judaica o termo, ou o seu equivalente, Pessach, encontra-se ligado à memória da libertação do povo israelita do jugo egípcio, relatada no Livro do Êxodo. A chegada do equinócio da primavera (o único dia do ano em que os períodos diurno e nocturno têm uma duração aproximadamente igual, como resultado da trajectória efectuada pelo sol), no mês de Março, é determinante para o cálculo das datas em que se realizam as festividades da Páscoa, mas também aqui existem diferenças de fundo entre o cristianismo e o judaísmo (...)" "O presente programa do agrupamento Concertus Antiquus ilustra a ampla projecção que a comemoração da Páscoa assumiu na cultura musical destas duas correntes religiosas, ao longo de um período temporal muito vasto que nos transporta desde os ecos mais remotos da sinagoga judaica até ao recolhimento do cantochão cristão medieval, passando pelo repertório profano e religioso maneirista, até culminar no despontar da música barroca vocal (...)"

 

2 de Outubro de 2004, 21h00
Almodôvar, Igreja Matriz
As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Franz Joseph Haydn (1732-1809)

QUARTETO ARCUS
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L’Introduzione: Maestoso ed Adágio
Evangelium: Pater, dimmite illis; non enim sciunt quid faciunt *
Sonata I: Largo
Evangelium: Hodie mecum eris in Paradiso *
Sonata II: Grave e Cantabile
Evangelium: Mulier ecce filius tuus *
Sonata III: Grave
Evangelium: Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquistime *
Sonata IV: Largo
Evangelium: Sitio *
Sonata V: Adagio
Evangelium: Consummatum est *
Sonata VI: Lento
Evangelium: Pater, in manus tuas comendo spiritum meum *
Sonata VII: Largo
Il Terremoto: Presto com tutta la forza *

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Rui Cabral Lopes

"As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, Op. 51, de Franz Joseph Haydn (1732-1809) ocupam um lugar aparte no seio da monumental produção de quartetos de cordas do compositor, não apenas devido ao seu recorte formal invulgar, baseado na sucessão de sete andamentos lentos, mas também por se tratar da transcrição de uma partitura concebida originariamente para orquestra. A peça foi iniciada em data incerta de 1786, na sequência de uma encomenda feita a Haydn pelo cabido da Catedral espanhola de Cádiz, (...)" "Haydn colocava as Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz entre as melhores composições instrumentais que jamais produzira, mas a audição da música, por si só, desvela apenas uma parte do seu imenso potencial musical e estético, enquanto peça funcional, por excelência. A aproximação às circunstâncias originais de execução, proposta na presente interpretação do Quarteto Arcus, vem traduzir a indispensável envolvência ritual de que a música de Haydn é absolutamente tributária, rumo a um universo de espiritualidade e de misticismo que foi, sem dúvida, ambicionado pelo compositor."

3 de Outubro de 2004, 21h00
Beja, Igreja do Carmo
Ave Maris Stella
O culto da Virgem na Europa medieval

ENSEMBLE VOCAL INTROITUS voltar

Ave Maria stella: Canto gregoriano
Communio “diffusa”: Canto gregoriano
Alleluia nativitas: Pérotin, séc. XII-XIII
Virgo: Pérotin
Gaude Virgo: Anónimo, séc. XIII-XIV
Salve sancta parens: Worcester fragments, séc. XIII-XIV
Beata víscera: Worcester fragments
Sancta Maria: J. Dunstable, séc. XIV-XV
Cantiga de Santa Maria n.º100: Alfonso X (o sábio), séc. XIII
Cantiga de Santa Maria n.º183: Alfonso X
Venite a laudare: Laudario do Cortona, séc. XIII
O virgo splendens: Llibre Vermell de Montserrat, séc. XIV-XV
Maria matrem virginem: Llibre Vermell de Montserrat
Los set goyts: Llibre Vermell de Montserrat
Cuncti simus concanentes: Llibre Vermell de Montserrat

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Rui Cabral Lopes

"Desde tempos muito remotos que o culto da Virgem Maria tem deixado uma marca profunda e duradoura no pensamento religioso, na arte, na literatura e em todo o imaginário simbólico da civilização europeia. Com o aparecimento da Festa da Conceição durante a Idade Média, as manifestações devocionais em honra da Virgem multiplicaram-se e consolidaram-se, no âmbito não apenas da vivência religiosa de mosteiros e abadias, mas também, de um modo geral, das comunidades seculares. Tal interesse pela transcendência feminina não deixa de ter uma relação palpável com a imagem da mulher na cultura e na sociedade celtas, a qual perdurou, inevitavelmente, na memória artística, literária e mitológica da sociedade medieval. A este propósito, é muito significativo que várias das grandes catedrais medievais europeias consagradas ao culto mariano, como as de Le Puy-en-Velay e Chartres, tenham sido edificadas em lugares que, no passado, ostentaram altares celtas destinados à veneração de mulheres-deusas (...)"

9 de Outubro de 2004, 16h00
Sines, Auditório da Administração do Porto de Sines
Modelos eruditos e tradições populares
na música sacra portuguesa

RUI VIEIRA NERY (UNIVERSIDADE DE ÉVORA) voltar

A Conferência de Encerramento do 2.º Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo "Terras sem Sombra", proferida pelo Prof. Doutor Rui Vieira Nery, procura completar a vertente pedagógica do Festival oferecendo ao público uma conversa sobre a temática do Festival. Uma autêntica história da música em 1h30 acompanhada de audições comentadas

10 de Outubro de 2004, 21h00
Santiago do Cacém, Igreja Matriz de Santiago Maior
Programa Comemorativo do tricentenário do nascimento
de Carlos Seixas (1704-2004)

ORQUESTRA BARROCA CAPELA REAL
& VOCES CAELESTES
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Carlos Seixas (1704-1742)
Missa em sol maior
Kyrie
Gloria
Credo
Sanctus
Agnus Dei
Verbum caro factum est
Dixit Dominus

Excerto da nota de programa do catálogo da 2.ª edição do Festival
Texto de Rui Cabral Lopes

"O concerto de encerramento da presente edição do Festival Terras Sem Sombra é dedicado, na íntegra, ao vulto central da música portuguesa da primeira metade de setecentos que foi José António Carlos de Seixas (1704-1742), decorridos trezentos anos sobre a data do seu nascimento. O músico nasceu em Coimbra, a 11 de Junho de 1704, filho de Francisco Vaz, organista da Sé, e da sua esposa, Marcelina Nunes. Um dos aspectos biográficos menos esclarecidos prende-se com a adopção do apelido Seixas, em desfavor do de seu pai, o que pode ser interpretado, eventualmente, como um gesto reverencial para com a figura de um presumível protector e mecenas, D. João de Seixas, personalidade que chegou a subscrever a dedicatória, dirigida a D. António Infante de Portugal, das Sonate da Cimbalo di piano e forte detto volgaremente di marteletti, compostas por Lodovico Giustini di Pistoia (Florença, 1732) (...)"

 

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